Uma ideia com mais de meio século
Para muita gente, o ICF parece uma novidade. Mas a construção com formas isolantes para concreto (Insulated Concrete Forms, em inglês) tem cerca de 60 anos de história. O princípio sempre foi o mesmo: usar formas que não são retiradas depois da concretagem e que passam a fazer parte da parede, dando isolamento térmico a uma estrutura de concreto armado.
Conhecer essa trajetória ajuda a entender por que o sistema chegou ao Brasil já maduro, com décadas de uso em países de clima muito diferente do nosso.
Antes do EPS: a ideia da forma que fica na parede
A busca por formas permanentes é antiga. Já em 1907 foi registrada, nos Estados Unidos, a patente de um bloco com cavidade central para receber concreto, um parente distante do ICF. Ao longo do século XX surgiram outras soluções de formas que ficavam incorporadas à parede, feitas com materiais diversos.
O que faltava era um material leve, fácil de moldar e com bom desempenho térmico. Esse material apareceu com a popularização dos plásticos expandidos, entre eles o poliestireno expandido (EPS), conhecido no Brasil pelo nome comercial de isopor.
1965 a 1968: Werner Gregori e a primeira forma de espuma
A história do ICF moderno começa no Canadá. Segundo o relato publicado pela revista especializada ICF Builder, o construtor Werner Gregori teve a ideia no verão de 1965, durante férias em Ontário, observando caixas térmicas de espuma plástica: se a espuma conservava a temperatura de alimentos, poderia também isolar paredes de concreto.
Gregori entrou com o pedido de patente no Canadá em março de 1966, e a patente norte-americana foi concedida em 1968. O bloco original media 16 por 48 polegadas (cerca de 40 por 122 centímetros), tinha encaixe macho e fêmea, amarrações metálicas e núcleo em grelha, no formato conhecido como "waffle". O objetivo declarado era reduzir custos, acelerar a obra e permitir que equipes menos especializadas erguessem paredes de concreto.
1969: a primeira casa em ICF
Na primavera de 1969 ficou pronta, em Oakville, no Canadá, a primeira casa construída com o sistema. A obra chamou tanta atenção que, segundo o mesmo relato, foi preciso ajuda da polícia para organizar o trânsito de curiosos.
No mesmo ano, a empresa de Gregori já licenciava a tecnologia para outros mercados, como Estados Unidos (Miami), Porto Rico, Japão e Alemanha, e o sistema passou a ser usado também em escolas e alojamentos.
Anos 1970 em diante: expansão e reconhecimento
Com o fim da proteção da patente original e o avanço da indústria de espumas plásticas, surgiram novos fabricantes e modelos de formas. A adoção cresceu de forma constante desde os anos 1970, embora no início esbarrasse no desconhecimento do mercado, na falta de regras específicas nos códigos de obras e na grande variedade de produtos.
Com o tempo, o ICF passou a ser previsto na maior parte dos códigos de construção dos países desenvolvidos. Nos Estados Unidos e no Canadá, é usado em casas, escolas, hotéis e edifícios comerciais, especialmente onde conforto térmico e eficiência energética são prioridade.
O ICF no Brasil e o sistema iForms
No Brasil, sistemas com formas de EPS são conhecidos há anos, mas foi na última década que o ICF ganhou escala na construção de casas. Um marco dessa fase é o Grupo ICF, fundado em 2016 em Sinop (MT). Segundo a própria empresa, as primeiras obras com o sistema iForms aconteceram em 2018, a fábrica foi criada em 2019, a linha de argamassas e o revestimento ICFLEX vieram em 2021, e em 2023 veio o reconhecimento da Caixa para o financiamento de obras no sistema.
O sistema iForms tem o Documento de Avaliação Técnica DATec nº 045-A, emitido no âmbito do SINAT/PBQP-H com avaliação do IPT e, segundo o fabricante, válido até 2028. O Grupo ICF também informa ter formado mais de 7 mil Experts iForms em todo o país. Como todo documento técnico, o DATec deve ser consultado no seu escopo e na sua validade, incluindo o revestimento especificado para cada obra.
O que mudou desde o primeiro bloco
A ideia central continua a mesma de 1966: formas de EPS que ficam na parede, armadura de aço e núcleo de concreto. O que evoluiu foram os detalhes. As formas ganharam encaixes mais precisos, conectores próprios e peças especiais para cantos, vergas e arremates, e o projeto estrutural passou a ser feito com normas e documentação técnica específicas.
Os revestimentos e as ferramentas de obra também evoluíram, o que torna a execução mais organizada. Ainda assim, o resultado depende de projeto compatibilizado e de equipe treinada no sistema.
Por que essa história importa para quem vai construir
Escolher o ICF não é apostar em uma tecnologia experimental. É optar por um método com seis décadas de uso internacional, adaptado ao mercado brasileiro e com documentação técnica disponível. A pergunta mais importante deixa de ser "isso funciona?" e passa a ser "quem vai projetar e executar a minha casa?".
Na Pazion Engenharia, trabalhamos com o sistema iForms, com engenheiros responsáveis e ART em todas as obras. Se você quer entender como o ICF se aplica ao seu terreno e ao seu projeto, use o simulador para uma estimativa inicial de prazo ou fale com a nossa equipe pelo WhatsApp.
